O advogado de Moreira, Utomo Karim, esteve com ele
nesta quarta e o visitou na cela de isolamento. Ele disse à Fairfax Media, dona
do “The Sydney Morning Herald”, que o brasileiro está em estado de choque,
triste e com medo.
Instrutor de voo, Moreira foi preso ao tentar
entrar na Indonésia com 13 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa
delta em 2003. A droga foi descoberta pelo raio-x, no Aeroporto Internacional
de Jacarta. O brasileiro conseguiu fugir do aeroporto, mas foi preso duas
semanas depois.
O advogado Karim contou que seu cliente conversou
com funcionários do setor consular brasileiro na última noite. Moreira disse
que não quer morrer e pediu ao governo brasileiro que faça tudo o que puder
para evitar sua execução.
Ainda de acordo com o jornal, o advogado afirmou
que o governo brasileiro enviou uma carta à Indonésia pedindo que Moreira fosse
extraditado e cumprisse pena no Brasil. Entretanto, o condenado já havia sido
transferido para a prisão onde está isolado, e não havia mais tempo para
manobras legais.
O defensor também contou que Moreira ficou
apavorado ao ser transferido de prisão e achou que já seria executado na noite
de quarta-feira. Ele teria chegado a pedir aos guardas que o executassem onde
estava, ao invés de transferi-lo para a prisão de Besi.
Na Indonésia, os presos são executados por um
pelotão de fuzilamento, e podem escolher se querem ficar de pé, sentados ou
deitados. Eles são vendados para a execução. “Marco estava muito estressado na
noite passada para pensar em qualquer último pedido. Mas ele disse que queria
sua família aqui”, disse Karim, segundo o “The Sydney Morning Herald”.
O atual presidente da Indonésia, Joko Widodo,
assumiu o cargo em 2014 e adotou uma mão pesada na luta contra as drogas,
afirmando no mês passado que iria rejeitar os pedidos de clemência das 64
pessoas no corredor da morte no país em crimes relacionados a drogas.
Segundo ele, as execuções são necessárias porque o
país “está em um estado de emergência com as drogas”.
Além de Marco Archer, o paranaense Rodrigo Muxfeldt
Gularte também está detido no arquipélago do sudeste asiático por tráfico de
cocaína e aguarda no corredor da morte.
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